Domingo, Fevereiro 10, 2008
Tempo contado
Foram cinco anos, três meses, vinte e um dias e onze horas esperando por esse momento. Ele finalmente tinha sua arma apontada para a cabeça dela e milhões de motivos para apertar o gatilho.
A história nem foi tão curta assim. Maldita hora que ele resolveu pular da janela do quarto. Fugir de um chinês entregador de pastel com uma submetralhadora se atirando do terceiro andar do apartamento rumo ao chão foi a atitude mais burra que já teve desde que se tornou agente independente. A mais burra, porém não a única. Ela havia lhe feito tomar atitudes bem mais burras ao longo da vida. Enfrentar um monstro persa de quatro braços, desmantelar os planos de um antigo ditador para dominar o mundo, gostar daquelas bandas estranhas... Ele não precisaria passar por nada disso se não tivesse se estatelado no chão em frente àquela criatura graciosa.
E tudo aquilo para quê? Para ela trocá-lo por um gordinho nerd sem muita coisa na cabeça. E alguns dias depois largar o mesmo gordinho, provavelmente por ter percebido que não sabia o que fazia com ele. Ah, aquilo foi demais. Jurou vingança. Contou cada hora que se passara desde os últimos momentos. E sabia que sua hora iria chegar.
E lá estava, pronto para terminar sua vingança pessoal. Depois de ter invadido uma instalação secreta do exército e, conseqüentemente, acionado todas as forças armadas para si próprio. Era só ele e ela, como nos velhos tempos. Mas agora com uma arma apontada para aquela que havia destruído sua vida.
- Eu sei que esta é uma ótima oportunidade. Em outras situações eu não a perderia. Mas esta não é minha missão. Meus amigos acham que você tem algo que o governo quer muito, então é provável que você valha mais viva, infelizmente. Agora nós precisamos sair daqui. Corra naquela direção e não olhe para trás...
Ir embora sem olhar para trás. Sabia que aquelas instruções seriam bem entendidas. Era o que ela sabia fazer melhor. E foi exatamente isso o que ela fez. Correu em direção à janela aberta, pulou e se agarrou no helicóptero dos demais agentes independentes que lhe aguardavam. Partiram o mais rápido que puderam, esse era o combinado. Ele ficaria lá, era a isca que os militares iriam morder. O destino era uma merda mesmo... Acabou tendo que morrer para que ela se salvasse.
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abominnavel
às 10:49 PM
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Domingo, Novembro 18, 2007
Curtas
Não recomendado para pessoas que acabaram de almoçar e/ou com problemas digestivos crônicos.
- Porra cara, bosta cozida fede pra caralho!
- Já perceberam que refrigerante congelado parece merda boiando?
- Mas tu não vai usar o restinho de Coca-cola pra desentupir o vaso não, vai?
- Meu filho, merda quanto mais mexe, mais fede.
- Banheiro de universidade é foda. Acabei de matar uma cueca...
- E esse tolete boiando aí que não quer descer? É sacanagem!
E assim caminha a humanidade...
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abominnavel
às 2:29 PM
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Domingo, Março 25, 2007
Adolfo: o Homem-Panqueca
Um choque violento contra a parede. E quase toda a carne moída ia pelos ares. Mas ele era feito de massa grossa. E definitivamente não ia perder a batalha para um spaguetti com molho azedo. Afinal de contas, ele era o herói do dia. Era o Homem-Panqueca, defensor dos fracos e oprimidos, um super-herói exemplar que tinha objetivos bem simples: ter direito a sua própria revista em quadrinhos, um filme e um jingle que qualquer criança conhecesse. Nada muito difícil, ele pensava. Mas também sabia que isso ia lhe custar muito molho de tomate.
Adolfo nunca pensou em ser herói. Gostava da vida que levava como funcionário no controle de qualidade de uma fábrica de apitos. O que ele fazia era, basicamente, passar o dia inteiro soprando apitos e verificando se o barulho estava de acordo com as normas da ABNT para barulho de apito. Muitos rotulavam isso como um "emprego de merda", mas ele sempre replicava dizendo que ruim mesmo era a função dos colocadores das bolinhas nos apitos.
Almoçava todos os dias num restaurante italiano perto da fábrica. Já havia perdido a conta de quantas baratas já tinha achado nas lasanhas e concluiu que baratas gostam muito de lasanha. Então, um dia, resolveu pedir panqueca na esperança de não achar nada vivo na comida. De fato, não achou nada vivo, nem mesmo baratas estavam conseguindo sobreviver ao que se servia naquele lugar. A panqueca estava contaminada com uma substância que provocou profundas mutações no corpo do Adolfo. Passou mal naquele dia. E na manhã seguinte acordou recheado de carne moída e expelindo molho de tomate. Isso sem falar na massa grossa enrolada em que tinha se transformado sua pele.
Adolfo também sabia que não era o único que tinha comido naquele restaurante aquele dia. Portanto, não era o único que havia se transformado em uma massa estranha cheia de molho de tomate. Prova disso é que estava apanhando de um de seus maiores inimigos: o homem-macarronada. Suas dezenas de tentáculos de spaguetti eram simplesmente mortais. Mas Adolfo, o Homem-Panqueca não desistia. Deu mais uma volta em sua massa de panqueca, ajeitou a carne moída e partiu para a batalha.
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abominnavel
às 9:03 PM
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Sábado, Fevereiro 24, 2007
BOST
Já se passou quase um ano. Pelo menos, na contagem do ninja, deve ser isso. O que não diz muita coisa, ele já perdeu a conta diversas vezes por insolação. O fato é que ele não aguenta mais isso, desde o primeiro momento após a queda do avião. Óbvio, há a loira gostosa do outro lado da ilha, tomando sol infinitamente enquanto balança as madeixas esvoaçantes e solta um olhar sexy para quem estiver próximo. Mas o fato é que todos eles querem comer a loira, mas ninguém tem coragem nem ao menos de perguntar o nome dela.
O que acontece, na verdade, é um jogo conspiratório. Com a loira, gostosa, são cinco pessoas na ilha, mais o ninja, o homem-bomba aposentado, o agente secreto independente e ovo azul. Basicamente, o ninja teria que matar todos os outros três para poder ter a chance de aproveitar o resto da sua vida na ilha comendo a loira gostosa. É bem verdade que ele não liga muito para o homem-bomba aposentado e o agente secreto independente, mas não teria coragem de matar o ovo azul. Além de ser oval e contar piadas ótimas, ele é azul, e o ninja não teria coragem de matar alguém azul.
Os mistérios da ilha são muitos. Tem a escotilha sempre fechada no chão, tem a lagartixa gigante que parece mais saída de algum dos primeiros filmes do Godzila. E o que significariam os números 2 8 18 32 32 18 8? Na verdade, o ninja só não matou os demais ainda porque espera que eles encontrem comida enquanto ele fica pensando sobre esses mistérios. E também porque a sua espada estava justamente na parte do avião que a lagartixa comeu. Ele não vai a lugar algum sem sua espada.
Mas o ninja tem bem mais o que se preocupar agora. Eles acharam nitroglicerina na ilha, e todos têm medo que o homem-bomba aposentado resolva voltar ao cargo. Também existe o mistério que envolve a loira gostosa, de onde ela veio e como se mantém tão gostosa. Ele desconfia que agente secreto independente está comendo-a secretamente. E a escassez de comida o faz olhar para o ovo azul cada vez mais como um omelete azul. Se levanta e resolve ir aos seus afazeres. Andando um pouco distraído pela floresta, acaba tropeçando numa pedra. Ao tentar se levantar, percebe o brilho metálico à sua frente. Achou a espada.
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abominnavel
às 10:29 PM
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Quinta-feira, Janeiro 25, 2007
A indução magnética brasileira
Uma das pesquisas mais bem sucedidas na física do século XXI foi a que se fez sobre a indução magnética brasileira. Seus autores ganharam o Nobel de física no mesmo ano de sua publicação. A divulgação dessa pesquisa também aumentou a capacidade de geração de energia no mundo, bem como a potência de aceleradores de partículas. Além de uma poderosa limpeza populacional.
A base da teoria era a seguinte: Um magneto, ou ímã, se forma quando os elétrons de um metal começam a se ordenar, girar num mesmo sentido de rotação (spin), "imitando" uns aos outros. Os cientistas perceberam que, entre os brasileiros, o mecanismo que gerava as modinhas era cerca de trinta vezes mais eficiente que aquele que gerava o campo magnético nos elétrons. As pesquisas sugeriam que um grupo de adolescentes brasileiros poderia gerar um campo magnético de dois Tesla para cada membro do grupo. Um show de Rebelde, por exemplo, seria capaz de gerar um campo magnético comparável ao da Terra!
A prática então, foi bem simples. Foram coletados cinco brasileiros com idade entre onze e quinze anos, todos devidamente decerebrados e incluídos nas tendências da moda. Deram-lhes um aparelho televisor e algumas edições da revista Capricho. Colocaram todos num quarto que ficava logo em cima de um poderoso eletroímã e observaram. Eureca! Ali estava um campo magnético potencializado em cerca de 500%!
A coleta de patricinhas, mauricinhos, emos e modistas de todo o tipo no Brasil se tornou uma prática comum e legalizada. Eles foram usados em geradores nas usinas elétricas, aceleradores de trens-bala e aceleradores de partículas.
Uma revolução na ciência de alta tecnologia, diziam alguns. Mas sabe-se que a maior contribuição dessa pesquisa para a sociedade foi a tão sonhada utilidade para essas pragas da terra BR.
Notas não relacionadas ao post: O aniversário de dois anos do blog passou nesse 16 de janeiro e eu só lembrei alguns dias depois. Então vamos cantar parabéns no comentário. Também queria deixar uma pequena observação sobre a marca de quatro mil visitantes. Três vivas para o 85.10.99.# de Antwerpen, Bélgica!
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abominnavel
às 7:44 PM
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